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segunda-feira, 25 de julho de 2022

Zine - Direitos da mulher na gravidez, parto e puerpério

    Nas últimas semanas, fomos bombardeadas por casos de abuso sexual dentro de uma sala de parto. Foram vários cometidos por um único médico anestesista. Associar essa informação com a foto de uma turma de formandos do curso de Medicina que viralizaram, há poucos anos, pousando com calças abaixadas, fazendo alusão a assédio e abuso sexual de suas futuras pacientes (?), é estarrecedor. 

    É doloroso imaginar quantas mulheres já sofreram esse tipo de violência dentro de um consultório médico, e, se o os profissionais que estão entrando no mercado agora consideram inofensivo fazer publicamente uma "piada de estupro" contra quem deveriam direcionar somente cuidados, fica evidente que as universidades estão falhando em treinar seus alunos para agirem com respeito e humanidade com as mulheres, e o pior, não parece haver movimento de mudança nesses ambientes. Nossas dores são subestimadas, nosso sofrimento e desconforto são considerados normais. 

    O caso do estuprador anestesista é só mais um entre milhares e milhares de casos de violência obstétrica e  sexual em hospitais, e por acreditar devemos estar prontas para lutar pelo direito a uma existência digna que nós, integrantes da Coletiva Feminista Radical Matinta,  no Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana,  compartilhamos com grande satisfação nosso primeiro Zine.

Capa do Zine "Direitos da mulher na gravidez, parto e puerpério"


    Acreditamos que a informação é um arma valiosa para emancipação da classe sexual feminina, portanto fizemos um compilado de leis que referem-se aos Direitos da mulher na gravidez, parto e puerpério, de forma simples e direta, associado a projetos tocados pela Coletiva como a Super Clitóris e o Mães na Rede. 

    A distribuição deste zine é gratuíta e você pode acessar o e-book para download aqui. Caso você queira imprimir e distribuir em sua comunidade, em breve a coletiva irá disponibilizar um modelo pensado para impressão em apenas quatro papéis A4 em formato paisagem e um tutorial de como montá-lo, fique de olho nas nossas redes sociais! Sendo assim, gostariamos de frisar que a venda deste fanzine só é permitida se for para arcar com os custos da produção. 


Saudações amazônicas!


Matintas.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

SUPER CLITÓRIS: Direta ao Ponto






A misoginia é a narrativa de ódio, fincada em valores patriarcais, responsável por marcar o corpo feminino e colonizá-lo. Nós – as Matintas – reconhecemos a necessidade de construir contranarrativas à exploração dos nossos corpos e trilhar em busca da nossa autonomia. A Super Clitóris foi concebida como uma entidade capaz de nos conectar com as nossas vivências e sabedorias. Propomos uma comunicação horizontal, instigadora e reflexiva, como a educação deve ser. Nosso botão de partida é o Clitóris: historicamente odiado, mas que tem muitas mensagens a serem ditas. 
O Clitóris já foi nomeado como “o bico do seio do diabo” no período da Inquisição, segundo os historiadores. Durante o Egito Antigo, o clitóris e os lábios vaginais foram extirpados como medida para impedir a infidelidade das mulheres. A clitoridectomia, ritual de mutilação do clitóris e da parte externa dos órgãos genitais femininos, é uma tradição criada há mais de dois mil anos em alguns países da África, do Oriente Médio e do Sudeste Asiático, onde crianças são submetidas aos procedimentos cirúrgicos com o objetivo de proibir o prazer feminino, o que ainda pode ocasionar infertilidade.
Diante de tanto ódio, o que a Super Clitóris tem a nos dizer?
É só acompanhá-la, apostamos que a jornada pelo autoconhecimento será prazerosa!



Acesse a imagem com melhor resolução aqui
Acesse a tirinha nº01 aqui

terça-feira, 2 de maio de 2017

FOTOS DA RODA DE CONVERSA "SEGUNDO SEXO" DO DIA 29/04/2017

A Roda de conversa "O Segundo Sexo" aconteceu no último sábado. Devido a um contratempo o local foi alterado para a praça do Horto, o qual deve seguir sendo a sede das futuras rodas propostas pela Coletiva Feminista Radical Matinta. Agradecemos a participação de todas neste trabalho de formação de base. 
E para seguir desenvolvendo este espaço de debate e reflexões políticas exclusivo para mulheres, convidamos todas para participar da roda de conversa "O Segundo Sexo: Parte 2", que acontecerá no dia 27/05/2017 ás 15h30, na praça do Horto. Não percam!











Fotos: Annícia Ferreira. 

terça-feira, 7 de março de 2017


I ENCONTRO DE ESTUDOS FEMINISTAS DE BRAGANÇA

Em meados do mês de fevereiro, a Coletiva Feminista Radical Matinta foi convidada para ministrar o mini-curso "Feminismo Radical: Teoria e prática", no  I ENCONTRO DE ESTUDOS FEMINISTAS DE BRAGANÇA. Abaixo segue o link no Google Drive do material usado no encontro, como a ementa o mini-curso e um panfleto produzido pelas mulheres da Coletiva, para discutir a abolição da prostituição. O material pode ser utilizado como base de estudo para outras produções que também busquem difundir o feminismo radical por todo o país.

https://drive.google.com/open?id=0BzYFnA601eOGRUd5Wm54anpRMTA

domingo, 13 de março de 2016

Gênero e Feminismo - Centro Cultural Eware

Atividade da Coletiva Feminista Radical Matinta com adolescentes no Conjunto Maguary sobre gênero e feminismo. 






Feminismo e Violência contra a Mulher - SESI Santa Izabel

Palestra da Coletiva Feminista Radical Matinta para alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA).






I Encontro de Mulheres da UFPA

Participação da Coletiva Feminista Radical Matinta no I Encontro de Mulheres da UFPA 





Matintas


Sou Matinta



Feiticeira, renegada
Me nomearam mulher
Casta cuspida e maltratada

Ao nascer fui castigada
Me lançaram à maldição
Pois nasci com uma boceta
É um crime sem perdão

À noite o homem teme
Meu assobio de rasga-mortalha
Mas de dia me bate e me estupra
Só me quer sem vida e calada

Em andanças descobri
Que outras iguais a mim existem
De igual força, igual coragem
E Ao teu império resistem

Te prepara, homem, já
Estamos juntas a nos erguer
Toda noite e todo dia
Nossa voz tu vais temer

Vamos unidas lutar
Teu império derrubar
Somos mulheres, somos guerreiras
Juntas somos Matintas Pereras.

♀ Poema dedicado à Coletiva Feminista Radical Matinta.
Autoria: Ana Paula Vasconcelos
Colaboração, revisão e edição da amada Tobleronne.

Desafio da maternidade (compulsória)

Dizer que maternidade é compulsória não é o mesmo que dizer que mulheres que querem, desejam e podem ser mães não o devam fazer, não é invisibilizar mulheres que são mães, e sim lembrar que:
1- Métodos contraceptivos não são 100% eficazes.
2- os métodos hormonais são todos voltados para mulheres, apesar de se ter conhecimento científico que causam alterações no organismo e que aumentam riscos de trombose e câncer de mama. Não há interesse em investir em métodos hormonais masculinos pq somente a mulher tem que se foder e ser responsabilizada pela gravidez.
3- aborto é ilegal no Brasil. Se a gravidez acontecer, ou ela será obrigada a gestar e parir ou será obrigada a recorrer a aborto ilegal e inseguro.
4- Laqueadura só é permitida (segundo a lei) para mulheres com no mínimo 2 filhos vivos ou maiores de 25 anos. E ainda que cumpram essas condições, muitos médicos dificultam a realização do procedimento.
5- Se a mulher for casada, só poderá realizar laqueadura com autorização por escrito do marido.
6- Homens pressionam e coagem namoradas e esposas a fazerem sexo sem camisinha. Essa coerção se dá de diferentes formas, desde à chantagens emocionais à ameaça de agressão física.
7- Não há lei NENHUMA que obrigue um homem à criar e dividir os cuidados dos filhos. NENHUMA.
8- as pessoas COBRAM a todo momento que mulheres sejam mães. COBRAM que mulheres precisam ter filhos. E não somente um filho. A sociedade COBRA que ela tenha pelo menos 2. Não há a cobrança social em relação ao homem e à paternidade.
9- o papel social da mulher é definido pela capacidade de gestar. Salários menores em mesmos cargos e funções. mulheres são preteridas em cargos de chefia mas preferidas em cargos de atendimento, limpeza e copa “pela capacidade inata de cuidar”. É ela quem terá de abrir mão de crescimento profissional e pessoal. É o trabalho dela que é visto como menos importante que o cuidado dos filhos.
E tem mais uma pá de coisas que eu poderia passar horas falando disso. Acho muito curioso que feministas se esforcem tanto em atacar outras feministas que não tem a mesma visão judaico-cristã (super misógina e patriarcal, vale lembrar) de que maternidade é uma dádiva e que ela é sempre linda e que as mulheres tem que agradecer e blablabla pela gravidez apenas pra defender seu direito à maternidade.
Vocês podem escolher ser mães, o que não podem é escolher não o ser. Falam tanto em invisibilidade de mulheres mães dentro do feminismo, mas se uma mulher mãe fala algo contra a maternidade o ego de vocês fica tão ferido ao ponto de dizerem que se ela não gosta da maternidade ela deve estar doente, louca, com depressão e blablabla. Mas lógico, mulher que não se submete sempre foi vista como louca. Vocês estão reforçando a obrigação de mulheres em se conformar ao papel da maternidade: ISSO é maternidade compulsória.